Glória e postura
redação

No momento em que o Secretário Humberto Braga deixa a Secretaria de Govêrno, assume importância pública destacar a função do órgão e o papel do ocupante, que se afasta com extraordinária fé de ofício. Importância pública para o futuro, completaríamos. Pois, no passado, se lê que foram Secretaria e Secretário decisivos na construção do grande saldo positivo até agora apresentado pela Administração Negrão de Lima. Ninguém melhor do que o próprio Governador do Estado poderá testemunhar a relevância dos dois em seu Govêrno. E, portanto, ninguém melhor situado para compreender a imposição de sustentar a Secretaria em sua colocação de distribuidora do jôgo, planejando, coordenando e controlando a ação administrativa do Estado, no conjunto.

Sobram razões para destacar a sua importância futura no final do Govêrno do Estado. Os mesmos ideais de Estado que animaram o Governador e o Secretário de Govêrno, nos primeiros dozes meses, em sua luta pelo saneamento financeiro, esteio do crédito público e do programa de obras, deverão inspirar a administração para que a transmição apresente ao mesmo tempo o trabalho construído e a honra política elevada pela casa em ordem.

É dignificante o registro do trabalho da Secretaria de Governo nos últimos três anos. Além do citado saneamento financeiro, a tarefa encetada da reforma administrativa, o contrôle exercido sôbre as autarquias e as companhias mistas. E mais o comando das administrações regionais. E ainda a defesa civil, inovação entre tantas outras iniciativas geradas no ventre imaginativo da Secretaria e no vigor da inteligência do Secretário. A Cidade Nova, o Metrô, a Comissão Especial para a Barra da Tijuca são projetos em realização comprovantes da referência prudente e moderada aos méritos do Secretário que sai e da Secretaria que seguirá.

Nenhum órgão do Estado tem a oportunidade idêntica de viver todos os dias o macro e o micro da comunidade carioca, em um intercâmbio dialético de raro vigor, influindo a ocorrência da administração regional distante na elaboração da política global do Govêrno. O macro e o micro não se excluem e antes se completam na atividade da Secretaria de Govêrno.

Quanto ao futuro, ao lado da continuidade do iniciado, existem as tarefas magnas de manter saneadas as finanças estatais, para qualquer emergência natural ou política, e de promover plano de estímulos ao desenvolvimento econômico, segundo a regra de que nada vale administração pública rica e próspera em comunidade econômicamente sem dinamismo de crescimento.

A tarefa proposta ao nôvo Secretário de Govêrno exigirá, logo se vê, grande inteligência e autoridade na escolha dos investimentos públicos para que se realize desenvolvimento sem desequilíbrio financeiro. Já que os estímulos forçosamente reduziriam, de uma forma ou de outra, a receita do Estado, os investimentos deverão concertrar-se na criação de "economias externas" propícias à sedução do setor industrial privado, gerador de renda e de receitas acrescidas. Nunca, como a partir de agora, a seleção dos investimentos em obras públicas terá de ser tão severamente realizada visando a fins econômicos de desenvolvimento.

O Estado, em face dos diagnósticos feitos, não poderá eximir-se da responsabilidade de ser o grande agente da criação da riqueza da comunidade, através de estímulos fiscais e através de investimentos em economias externas - energia, água, telefone, espaço, urbanização, saneamento, esgotos - que apreçam a expansão das emprêsas aqui localizadas e que incitem investimentos privados na Guanabara.

Ao novo Secretário de Govêrno certamente não faltará o apoio total do Governador na difícil arte de modelar o bôlo orçamentário e parti-lo, tanto para o exercício de 1970 como para o de 1971, êste a ser cumprido pelo futuro Govêrno do Estado. Grande será a autoridade necessária ao bom desempenho da tarefa de conciliar as glórias da obra concluída com a postura tranqüila dos pagamentos ordenados.

O Globo, 24/04/1969

 
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