O Sergipano Gilberto Amado
Humberto Braga

Senhor Presidente, concordando com o voto de pesar proposto pelos nobres Ministros Ivan Lins e Augusto do Amaral Peixoto, também desejo referir-me a Gilberto Amado. Tive a honra e a ventura de merecer a amizade desse grande brasileiro. Compareci ao jantar que lhe foi oferecido pelos seus amigos e admiradores, no Country Club, há precisamente uma semana. Então, ele se despedia do Brasil com uma oportuna mensagem de amor e confiança.

Fazia gosto observar como um homem daquela sua idade era capaz de sentir entusiasmo pelos jovens, dando-lhes atenção, ensinamentos, conselhos e estima. Nenhuma restrição havia que o fizesse afastar-se dos moços no trato de qualquer momento. Torna-se impossível, como disse o Ministro Ivan Lins, seu confrade na Academia Brasileira de Letras, resenhar agora as múltiplas facetas da personalidade de Gilberto Amado.

Ele era um homem de talento proteiforme. Só mesmo os que com ele conviveram poderão avaliar a exata dimensão de sua cultura. De minha parte, sempre recordarei as conversas que mantive com aquele expoente das letras nacionais. Sua personalidade era realmente oceânica. Alceu Amoroso Lima teve razão ao considerá-lo um "mapa-mundi", um homem universal. Toda uma época, podemos afirmar, foi favorecida pela influência, pelo fascínio da presença de Gilberto Amado.

Em sua presença eu admirava o precursor, o profeta, o vidente e o patriota. Sendo um cidadão do mundo, absorvido e atraído por todas as províncias do pensamento luminoso, ele jamais se des-sergipanizou, dado sempre ter-se deslumbrado pelas coisas do Brasil. Não poderia deixar de admirar aquele mestre que, aos 82 anos de idade, palpitava, vibrava como se na primavera da vida. Ele permanecerá vivo na história da intelectualidade brasileira.

Eis as rápidas palavras com que secundo a iniciativa dos eminentes Ministros que propuseram um voto de pesar pela morte de Gilberto Amado. O vazio deixado por sua morte só pela saudade poderá.ser preenchido.


Tribunal de Contas do extinto Estado da Guanabara, sessão de 28 de agosto de 1969.

Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, 28/08/1979

 
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