Palavras de um Paraninfo
Humberto Braga

Que mais tenho a dizer-lhes?
Conselhos não ousaria dar. Já se disse que dá bons conselhos quem já não pode mais dar maus exemplos. Eu me esquivo a essa situação pouco atraente.
A nova geração desdenha os conselhos convencionais. E faz bem, porque no mundo de impermanência em que vivemos, bons conselhos, geralmente, não são mais do que amontoados de lugares comuns; banalidades solenes; vulgaridades revestidas de circunspecção; breviários insípidos de conformismo. Contudo, pondo a mira no horizonte das possibilidades, quero e posso desejar a vocês que se dediquem à profissão, mas, sobretudo, amem a vida; que se aprimorem no saber especializado, sem desprezar o conhecimento humanístico; que ampliem a necessária mas insuficiente formação que a universidade lhes deu, sem se deixar aprisionar no campo árido da tecnocracia; que se empenhem no trabalho criador, sem reduzir o homem a recursos humanos; que trilhem o róseo· caminho da prosperidade, sem fazer a sua felicidade depender de um consumismo imitativo e desvairado; que se preocupem mais em proporcionar momentos felizes a seus entes queridos, do que em lutar agoniados para serem conhecidos por multidões de desconhecidos; que não se deixem enganar pelas ilusões de gerações passadas, ferozmente competitivas, delirantemente ambiciosas de poder, fortuna, fama e glória, porém lacaias servis de cânones e de convenções estabelecidas por outras gerações pretéritas.
Enfim, amigos meus, eu lhes desejo que mantenham os olhos bem abertos para a beleza do mundo e enfrentem o tempo com destemor e alegria.

Peroração do discurso como paraninfo dos formandos de Economia da UERJ, 1980

Boletim Rotary Clube, 22/07/1981

 
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