A Vida depois da Morte
Humberto Braga

Meu caro amigo,
Induzido pelas nossas longas conversas, estou lhe enviando uma também extensa carta sobre o problema inescapável da imortalidade da alma. Dois textos a acompanham. O primeiro são xeroxes da Introdução e da palestra Transcendência e Mundo na Virada do Século, ambas de autoria de Hélio Jaguaribe em Seminário, realizado em 1991, no Instituto de Estudos Políticos e Sociais (estou providenciando um exemplar para você); o segundo o famoso livro El Sentimiento Tragico de Ia Vida, de Miguel de Unamuno.

Dos dois trabalhos de Jaguaribe, a palestra com que ele encerrou o seminário parece-me mais importante do que a Introdução. Nela, como você verá, ele deu maior relevo ao problema da existência de Deus do que ao da imortalidade da alma, decerto porque acha que a tese da vida eterna não tem nenhum amparo filosófico e científico, neste final do século. Percebe-se que a alma por ele considerada difere da de sua concepção. Ele alude a algo pura e originariamente espiritual, sobrenatural ou anatural, que provisoriamente habita o corpo. Essa alma, criada diretamente por Deus, junta-se à carne, talvez quando se forma o ovo(?), não sendo claro se nessa fase, já tem algum conteúdo ou é apenas forma. Já para você (deixemos de lado a palavra alma), a consciência humana é um produto da evolução natural, que, num salto qualitativo, se tornou autônoma e superior em complexidade à realidade que a produziu. Até aí, tudo bem. Estou inteiramente de acordo com essa formulação. Jaguaribe também concorda com ela. Esse fenômeno ele e Rouanet chamam de “transcendência macroimanente”, que é a transformação qualitativa. Sartre, ateu irredutível e que sempre considerou com desprezo a hipótese de vida eterna, já havia refutado, no seu livro L’'Étre et le Néant, a teoria do velho materialismo, segundo a qual a consciência humana não era mais do que uma coisa entre as coisas. Se assim fosse, argumentou ele, como explicar que essa coisa pudesse alçar vôo para, na sua visão, abarcar a totalidade das outras, isto é, do mundo? Mas você vai muito além, pois admite que a natureza produziu algo anatural, sobrenatural, essencialmente desligado dela e confere ao novo ser o atributo da imperecibilidade, da eternidade! Isso não é um salto qualitativo e sim um salto metafísico.

Ambos pensamos que a explicação mais razoável para o universo é a de Criação Eterna (porque não teve começo e não terá fim) em ação continua, A essência, a natureza dessa força, energia, seja lá o que for, é a sua criatividade permanente, Ela mesma não é consciência, razão, memória, liberdade, finalidade, vontade ou afetividade, pois estes são predicados derivados da criatividade perene. Nela não têm sentido o bem ou o mal, amor ou ódio, justiça ou injustiça. Ora, a criação permanente impõe a condição impermanente, transitória, efêmera dos seres gerados por ela. Como será concebível uma Criação Eterna, Permanente, criando bilhões de seres também eternos, permanentes? Todos eles, aliás, transformados em verdadeiros deuses porque, na sua eternidade, preservariam a personalidade total, dispondo assim de consciência plena, memória, razão, liberdade, vontade, afetividade, etc. A criatividade constante implica destruição incessante. Com efeito, só uma sobrenaturalidade radical, uma autêntica espiritualidade, poderia explicar a imortalidade da consciência individual. Cairíamos aí no dualismo. A consciência só por acaso, só arbitrariamente, estaria no cérebro, pois, na sua essência, nada tem a ver com ele.

Quando sofri uma intervenção cirúrgica, o anestesista aplicou-me uma injeção e me levou à inconsciência temporária. Aquela substância injetada atuou sobre o meu cérebro apenas funcionalmente, sem lesá-lo. Sabemos que a inconsciência pode ser provocada por vários meios: químicos, mecânicos e até psicológicos. Como posso então admitir que haja consciência após a morte, isto é, após a destruição total do cérebro?

Se a consciência é um produto da evolução, ela deverá existir, como pura forma kantiana ou potencialidade, desde antes do nascimento, em todos os seres humanos normais. Portanto uma criança falecida, com 3, 4 ou 5 anos, conservaria, pela eternidade, sua consciência imatura. "Que dizer da alma imortal dos que morrem logo após o nascimento ou dos que nascem com o estigma da idiotia?" O problema se complica na velhice quando, normalmente, declinam a inteligência, a memória, a vontade, etc., e a própria afetividade comumente se altera. Todos concordam em que inteligência, memória, vontade não são as mesmas aos 20 e aos 80 anos, pois a personalidade modifica-se no tempo. Se um homem morre no seu declínio e não no seu apogeu, qual a consciência (sabendo-se que esta implica a personalidade total) que irá para a eternidade? Mas se a consciência humana é um produto da evolução natural, como, quando e por que eIa se tornou sobrenatural, isto é, eterna?

E quando alguém enlouquece, a consciência anterior à doença fica congelada em algum lugar do organismo até abandoná-lo com a morte (nada a impediria de desligar-se dele antes) ou a loucura irá para a vida eterna? Loucos eternos, heim? Nem Dostoievski nem Kafka imaginaram essa realidade... Quando se dá a desagregação completa da personalidade, típica da esquizofrenia, que acontece com a consciência imortal? Continua escondida no corpo? Por quê?

Sabemos, pelo exemplo dos animais, que consciência e vida são diferentes. Nas demências, nas esquizofrenias, etc., subsiste a vida. Que aconteceu à consciência que, pela sua imortalidade, não mais depende dela? Onde se ocultam razão, vontade, sentimento de liberdade e de responsabilidade na doença de Alzheimer? Sobrevivem num “espírito” recôndito, inescrutável, que se obstina em permanecer num cérebro arruinado? Se já deixaram o corpo, o doente é um homem vivo sem a alma imortal...

Se pusermos de lado a hipótese de loucura da alma, metáfora inaudita no dizer de Kornfeld, pois alma doente não é responsável, os “imortalistas” terão de sustentar que, na doença mental, atrás da personalidade desagregada, se oculta uma outra, íntegra, destinada à vida eterna!

Jaguaribe, na página 212 do trabalho que lhe enviei, escreveu “Todas as operações mentais, como a memória e o pensamento, são determinadas por processos psicofísicos”. Para explicar isso à luz do espiritualismo seria necessário exumar a velha teoria metafísica do paralelismo psicofísico, de Leibniz, que hoje nenhum filósofo ou cientista admite. Prossegue Jaguaribe. na mesma página: “Esses processos são empiricamente comprovados e suscetíveis, através de agentes químico-elétricos, de serem suscitados ou bloqueados”. Ele descreve, com apoio em vários trabalhos de cientistas mencionados no pé da página, a transferência do patamar físico-químico para o psicológico pela conversão de uma informação de primeiro grau, quimicamente retida numa célula nervosa, para uma informação categorial, de segundo grau ou sintética. Essa informação é convertida em idéia e o encadeamento inferencial das idéias gera o pensamento. E remata assim: “As constatações da psicologia experimental, da fisiologia do cérebro, da psiquiatria experimental, são incompatíveis com a suposição de que as operações mentais sejam executadas por um espírito distinto do organismo, em geral e do cérebro, em particular. Não existe alma, existe o ego, unidade central do comando deliberado das atividades nervosas não vegetativas. A hipótese de um ente espiritual, dotado de racionalidade e liberdade, é incompatível com as características empíricas de que se revestem as atividades mentais”. (Os grifos são meus)

Com a minha fraquíssima autoridade de antigo estudioso da psiquiatria, subscrevo inteiramente essas linhas. Mas quando afirmo que a moderna neurofisiologia provou que não há consciência sem cérebro (o que invalida a sua suposta imortalidade) não estou endossando a tese do velho materialismo, para o qual o pensamento era uma secreção cerebral. O cérebro é o órgão integrador, a Função Contato, dos fenômenos biológicos e sociais e dessa integração, num salto qualitativo, surge algo autônomo, o Psiquismo, a Consciência. Entretanto, autonomia não quer dizer espiritualização, total desligamento. Os fatores biológicos são a infra-estrutura e os sociais o conteúdo da consciência. Não há consciência sem linguagem e não há linguagem sem vida social. O conteúdo do pensamento nasce da relação indivíduo-mundo. A célula viva representa um salto qualitativo (o da biologia) em relação aos elementos químicos que a compõem: hidrogênio, oxigênio, carbono e azoto. Mas não pode existir sem eles. Assim, também a consciência humana significa um salto qualitativo em relação à natureza, mas não pode existir sem o cérebro e também sem o mundo exterior. Assim como não há sujeito sem objeto, não há consciência “pura” e sim consciência de alguma coisa. A inteligência é um produto da atividade cerebral e não um atributo da alma imortal.

Para os “imortalistas” a morte é a verdadeira fonte do conhecimento... A perda da consciência, que parece definitiva com a morte, dá lugar a uma imediata ressurreição dela (consciência), que então conhece a verdade e é eterna.

A crença “imortalista” era compreensível quando se acreditava que a alma era uma substância (!) simples, sem partes, insuscetível de adoecer, de decompor-se, etc., etc. Ora, as modernas neurofisiologia e psicologia experimental mostraram a tremenda complexidade da consciência. Esta não é substância simples e sim enorme organização. Só recentemente vieram a ser conhecidas as funções de certas áreas cerebrais como o sistema límbico e o rinencéfalo. No meu tempo de estudante de medicina elas eram consideradas zonas mortas. A complexidade funcional do cérebro humano é simplesmente fantástica. "A alma simples e eterna não precisava desse fabuloso engenho". E hoje o conceito de inter-relação dinâmica dos centros nervosos substituiu a teoria das localizações cerebrais. Na organização da personalidade estão compreendidos temperamento, inteligência, memória, vontade, afetividade, fatores genéticos e sociais, história, biografias interna e externa, etc. Tudo isso, para os “imortalistas”, deverá viver eternamente, sem o que a imortalidade da consciência implicaria um insuportável e inadmissível esquartejamento da personalidade. "Ninguém nega as bases orgânicas (neuro-glandulares) do temperamento". "A alma imortal, que é puro espírito, conserva o temperamento? Também ninguém contesta que as demências e outras afecções cerebrais acarretam perda de memória". Sem memória é absurdo falar em imortalidade. E também não há consciência sem memória. Poderá existir uma nova consciência, nova memória e portanto começo de uma nova vida. Todo “imortalista” verdadeiro (é o caso de Unamuno) exige a preservação na vida eterna da memória da vida terrena. Camões, bom cristão, tinha dúvidas a esse respeito, como se vê nos versos dedicados à amada morta:

"Se lá no assento etéreo onde subiste
Memória desta vida se consente",
O imortal deve ter memória imperecível para num tempo infinito recordar sua vida na Terra.

Todavia não só a memória, também a vontade e afetividade teriam que seguir para a eternidade. Que seria da nossa consciência individual privada de vontade, abúlica? Pior ainda: a consciência individual inafetiva. Se os homens não levassem para a vida eterna os sentimentos, o amor, a ternura pelos entes queridos, enfim a capacidade do emocionar-se, os vivos eternos nada mais teriam de humanos. Seriam monstros gélidos, mais frios do que o Estado de Nietzsche.

Tudo isso mostra que a imortalidade almejada é a da personalidade total. Ninguém admite a horrível hipótese da personalidade esquartejada, que não refletiria mais a sua consciência. Portanto, esta nem é simples nem espiritual, consequentemente não é eterna. Os cientistas que declaram acreditar na imortalidade da alma fazem-no como homens de fé e não como homens de ciência. A grande maioria sequer considera essa hipótese. Einstein não acreditava nela.

Não há dúvida de que, para a nossa racionalidade, a consciência individual é uma aberração cruel por permitir ao homem a antevisão da sua finitude. Mas isso, como sabemos, não é partilhado pela maioria que se crê dotada de vida infinita.

Jaguaribe tem razão quando diz que a concepção de Newton, de um universo harmonioso, ordenado, não mais se sustenta. Nossa Criação é permanente e também globalmente caótica, destituída de qualquer sentido, “inconcebível com um plano racional e finalístico” (pág. 205). É o que indicam a “teoria do caos”, o “princípio da incerteza” de Heisenberg, o “teorema de Godel”, o Possibilismo na microfísica, etc. Mas ausência de sentido e de ordem (caos), na perspectiva global, não quer dizer possibilidade de tudo (sobrenatural). Todavia, não há dúvida de que num mundo dotado de sentido a morte pareceria absurda, o que não quer dizer irreal.

No livro A Sobrevivência depois da Morte o médico católico Paul Chauchard, após confessar, na pág. 68, que: “Se, apesar disto, eu acredito na sobrevivência, não é de modo algum em consequência de reflexões filosóficas mas sim devido à graça extraordinária que me foi um dia concedida, de converter-me ao cristianismo”... lembra em favor da tese da sobrevivência o pensamento do Padre Teilhard de Chardin. Escreveu ele, à pág. 73: “... quando refletimos sobre o envelhecimento (sobre o envelhecimento normal, ainda raro, pois vemos hoje muito poucos velhos normais; presenciamos, em geral, o espetáculo de toda a patologia da velhice, cabendo à medicina do futuro a tarefa de nos aproximar dessa velhice normal) verificamos que existe realmente uma diminuição, uma deterioração, como que uma desencarnação em processo de contínuo desenvolvimento, uma maturação em perene prosseguimento. Pois bem, esse duplo movimento poderia parecer paradoxal: segundo afirmava o Padre Teilhard, será inteiramente absurdo que uma coisa amadureça se estiver destinada a desaparecer por completo. Existe, basicamente, esta revolta que nos empolga diante da morte. Esta morte, este desaparecimento do homem parece absurdo. Por conseguinte, ela poderia ser lógica, no fundo, num mundo absurdo como o que nos apresenta Sartre. No entanto, a ciência nos demonstra, precisamente e cada vez melhor, que não estamos num mundo absurdo mas sim num mundo dotado de sentido; nestas condições, o desaparecimento total é muito pouco lógico, do ponto do vista científico”. O Dr. Chauchard, baseado não se sabe em quê, dá por provado o que jamais se conseguiu provar: o sentido do Universo. Eis aí uma autêntica petição de principio. No Universo há causas, leis naturais. Sentido e finalidade são criações da razão humana.

Vamos avançar na especulação metafísica e admitir que a consciência individual (contendo a personalidade total como querem você, Unamuno e todos os verdadeiros “imortalistas”) viva eternamente. Neste caso, vou permitir-me fazer algumas observações e deduções sem invocar a razão filosófica e sim o mais elementar, pedestre, bom senso. Bom senso de Sancho Pança. Por elas poder-se-á concluir que a imortalidade é mais inquietante, senão mais assustadora do que a morte. Veja-se Unamuno: “queda luego el imaginarmos que pueda ser una vida inmortal y eterna del alma. En esta imaginación Ias contradicciones y Ias absurdos se multiplican y se Ilega, acaso, a Ia conclusion do Kierkegaard, y es que si es terrible Ia mortalidad del alma, no menos terrible es su inmortalidad” (pág 120). E também que essa imortalidade é inconcebível sem o Deus antropomórfico pessoal, criador, providencial. justiceiro ou misericordioso (?) do cristianismo e do islamismo, isto é, aquele Deus criado pelos homens segundo Feuerbach. A nossa Criação Permanente é insuficiente para assegurar a sonhada imortalidade. Vamos ver a que abismais complicações leva essa hipótese.

A consciência humana, segundo você, é um produto da evolução natural. É, pois, um produto do nosso Universo, nasceu dentro dele. Então não pode colocar-se fora do Universo. Está sujeita aos fenômenos e leis universais. Pela tese “imortalista” a consciência humana, apesar de ser produzida pelo Universo, é, ao mesmo tempo, supra-universal, pois sobreviverá a ele cujo fim é previsto pela ciência moderna. Portanto, após a morte, as consciências humanas ou ficarão eternamente gravitando no espaço (poderá haver suplício mais diabólico?) ou deverão ir para algum lugar ou alguns lugares específicos do Cosmos. Mas quem escolheu o lugar e quem a ele conduzirá as almas dos mortos? A Criação Permanente? Já vimos que isso é inconcebível. As próprias almas? Impossível, a não ser que sobre elas incida uma iluminação de fora. Só poderiam chegar à “morada dos mortos” conduzidas por uma força inteligente exterior e superior a elas. Olhe o Deus cristão de volta... Ter-se ia, portanto, uma sociedade dos mortos, ou melhor, dos vivos eternos. Se os vivos eternos levam para a imortalidade sua personalidade plena, total (razão, liberdade, vontade, afetividade, memória, etc.), não há como negar que eles levariam para esse “novo mundo” a paixão e o conflito. Se cada alma não estiver condenada ao inimaginável castigo de ficar solitária, isolada das outras pela eternidade, haverá uma sociedade delas e esta, formada por individualidades que preservaram sua personalidade total, exigirá ordem, organização, comando, isto é, governo, poder, desigualdade. Podemos avaliar a magnitude de tal sociedade, atentando no cálculo de que cerca de 80 bilhões de seres humanos viveram na Terra. Nela não pode haver doença, velhice ou nascimentos, supondo-se que os seus membros não se reproduzam espiritualmente. Mas sua população só se estabilizará quando desaparecer a espécie humana, o que a ciência tem como certo.

Assim, à desigualdade natural das consciências (sobretudo no caso das crianças, dos débeis, dos doentes mentais, dos senis) somar-se-á a desigualdade oriunda da organização da nova sociedade. Então se os mortos conservam na Eternidade todo o seu aparato psicológico da Terra, é razoabilíssimo supor que reproduzam na primeira a história da segunda. Estarei representando uma farsa? Estarei zombando? Pois não estou não. Uma hipótese absurda leva inevitavelmente a questionamentos pueris e mesmo ridículos. Se ninguém sabe nada sobre o Além, tudo dele pode ser imaginado. Ninguém pode me esclarecer racionalmente sobre a vida após a morte, posto que ninguém jamais voltou daquele “undiscovered country from whose bourn no traveller returns” de que falou Hamlet. Os próprios “espíritos”, quando se dignam encarnar nos seus médiuns (muitos absolutamente sinceros) nada informam sobre o “outro mundo”. Continuam exclusivamente interessados no que se passa neste planeta... Todavia, suas mensagens nem previnem desastres nem proporcionam benefícios. Um parêntese: passei boa parte da minha adolescência lendo livros de parapsicologia ou metapsíquica, pois meu avô era um ardoroso e erudito adepto do espiritismo. Sobre suas proposições e os fenômenos arbitrários, aleatórios, insuscetíveis de sistematização e de consequências irrelevantes, em que elas se arrimam, minha opinião, sem lançar sobre ninguém a pecha de impostura ou insanidade (as inúmeras pessoas que na Idade Média viam aparições não eram impostoras nem insanas), é a mesma de Unamuno – que com tanta boa vontade as estudou – na página 93 do seu livro. Não duvido da boa fé de muitos praticantes do espiritismo, mas nunca pude entender porque só alguns poucos espíritos decidem ou podem se comunicar com os vivos e não lhes dizem nada de realmente importante. Admitindo-se que alguns dos esporádicos fenômenos parapsicológicos são reais, inferir-se-á que eles são para nós ainda inexplicáveis, como as armas de fogo dos europeus para os primitivos americanos. Nada mais se poderá deduzir. Extrair deles a conclusão da imortalidade da alma é absurdo. Os fenômenos que, à luz da ciência se apresentarem à experiência humana como incríveis, assombrosos, não poderão servir como fundamento para deduções racionais.

Espiritismo kardecista e budismo afirmam que a alma sobrevive à morte do corpo e se reencarna noutro, mas sem guardar lembrança da vida anterior. Ora, esse consolo é semelhante ao prometido pela Alma Cósmica de Averroes, a qual significa morte pura e simples da consciência individual.*

O que todos querem é, no Além, lembrar-se deles próprios neste planeta e reencontrar as pessoas que nele amaram. A teoria da reencarnação quer dizer morte real de cada um dos encarnados e negação de uma personalidade individual. Que poderá significar uma “essência” que, por existir em várias encarnações, não pode reconhecer-se em uma só isoladamente? Se eu tivesse sido um potentado muçulmano na minha última encarnação e vestal romana (espírito não tem sexo) na penúltima, onde estará minha verdadeira personalidade? No austero agnóstico baiano, no polígamo adorador de Alá ou na casta sacerdotisa pagã? Conclusão: se a reencarnação existisse, não haveria personalidade individual e sim uma essência supra-individual sem qualquer conteúdo, um élan vital destituído de substância.

Mas eu sustento que minhas deduções sobre uma sociedade dos vivos eternos não são apenas uma possibilidade e sim uma probabilidade. Unamuno percebeu o horror de uma vida eterna contemplativa. Por isso, ele a reclamou bem ativa. Ora, vida ativa requer vontade, liberdade de opção, possibilidade de equívoco ou erro, conflito, malogro e sofrimento. Mas o notável pensador basco vai mais adiante: quer que a vida na Eternidade não se distinga substancialmente da vida na Terra. Com isso ele revelou a verdade. O que os “imortalistas” realmente desejam não é a desconhecida, ignota, inquietante vida celeste e sim a continuidade da vida terrena. Alguns querem até mesmo a representação corpórea, o corpo astral. Em última análise: a morte é apenas uma migração. Responder que tudo no Além será profundamente diferente do mundo que conhecemos não é sequer uma resposta. Tal subterfúgio me faz lembrar a explicação dada pelos padres para o espetáculo de uma Providência arbitrária, caprichosa, incompreensível, que pune os bons e premia os maus, interpelada pelo Padre Vieira num dos seus mais vigorosos sermões... A resposta era esta: “Os desígnios de Deus são insondáveis”. Ainda bem que você não parece acreditar na Providência. Sempre me assombrou o fato de homens sensatos crerem num Deus intervencionista que, periódica e arbitrariamente, interrompe e altera o curso dos fenômenos na natureza e na sociedade. Como podem eles admitir a possibilidade da Ciência e da História, quando é impossível distinguir o que é desenvolvimento natural ou processo histórico e o que é intervenção divina para atender àquelas preces que tocaram a sua sensibilidade insondável? Jaguaribe dedicou algumas linhas aos “milagres” apontando o seu caráter funcional. Realmente, se milagre é manifestação da vontade de Deus onipotente, causa espanto a insignificância dos milagres conhecidos. Milagres convincentes seriam cadáveres se recompondo e emergindo dos cemitérios, mutilados recuperando seus membros, navios soçobrados voltando à superfície das águas, aviões espatifados reconstruindo suas partes destruídas, etc. É o que seria de esperar do ilimitado poder divino.

Há quem na ânsia “imortalista” invoque os exemplos das chamadas “ressurreições”. Mas eles não servem, pois, nesses casos, não há morte real e sim morte aparente. Portanto nenhum dos “ressuscitados” conhece o segredo de Lázaro, o qual, segundo a Bíblia, voltou realmente do Além mas sobre ele nada revelou. A esse respeito leia-se o depoimento insuspeitíssimo do já mencionado Paul Chauchard em A Sobrevivência depois da Morte, págs. 70 e 71.
Mas afinal como estarão, que farão e com que significado, as consciências humanas individuais na Eternidade? Esta costuma ser apresentada em duas noções, ambas impensáveis... A primeira é a de tempo infinito. A segunda é a de ausência de tempo. Não pode haver dúvida de que a perspectiva de vida num tempo infinito é simplesmente aterradora. Pois a infinitude temporal significa a desvalorização de tudo quanto ocorre no curso da vida, a qual só é valiosa porque efêmera. Numa existência infinita nada é importante. Só tem valor o que é escasso. Simone de Beauvoir exemplificou isso no seu livro Todos os homens são mortais. A imortalidade é a morte da vida. A vida eterna seria um tédio infindo, para o qual não se permitiria sequer o recurso ao suicídio.
Suponhamos as almas individuais no Além. Elas só poderiam suportar a vida eterna se fosse mais agradável do que a terrena, da qual guardam a memória, pois, de sem ela a imortalidade não existe. Portanto, os seres humanos no Além recordarão os prazeres sensuais e espirituais fruídos no estágio terreno. Então, para que a vida eterna não seja um inferno, impõe-se que propicie ou permita prazeres maiores do que os conhecidos na Terra. Qualquer alegria por sobreviver seria curtíssima, caso a nova realidade fosse mais penosa em contraste com a antiga. É indubitável o que disse Dante no seu “imortal” poema, precisamente na visita ao Inferno:

"Nessun maggior dolore
che ricordarsi dei tempo felice
nella miseria"

Mas a hipótese de uma Eternidade mais agradável ou interessante do que a passagem na Terra só poderá ser esperada com a crença num Deus benfeitor, pessoal, providencial. Popper comentou no seu livro The Poverty of Historicism que a interpretação marxista da História como um processo simultaneamente necessário e benfazejo requer a existência da divindade redentora da humanidade. Teríamos, pois de acreditar na existência de uma entidade empenhada em promover o bem-estar e a felicidade dos homens após a morte. De todos os homens? Todos teriam a boa vida eterna? Como já vimos, só será possível o auto-reconhecimento após a morte se houver preservação da personalidade total, com seus sentimentos e até seus valores éticos. Se assim for, o mesmo também ocorreu nos casos de Nero, Hitler, Stalin, Jack o Estripador e todos os demais monstros e celerados que aqui viveram. Então, será possível eliminar, na Eternidade, o sofrimento, a paixão, a insatisfação, o conflito? Como desaparecerão a crueldade moral, o ódio, a ira, a inveja, a arrogância? Se não houver condições objetivas, na vida eterna, para os sentimentos “maus”, certamente também não haverá para os “bons”: amor, generosidade, ternura, solidariedade, lealdade, etc. Essa “purificação”, esse despojamento de sentimentos e valores, não seria uma verdadeira desumanização, em última análise, perda ou dissolução do Ego?

Consequentemente, na vida eterna não é razoável esperar o fecho dos contos de fada: “e foram felizes para sempre”.

Mas os “imortalistas” justamente só se contentarão se a vida eterna for também feliz, bem-aventurada. Desaparecido o conceito de felicidade no Além, os vivos eternos não mais seriam homens, pois não preservariam sua personalidade. De que valeria a vida eterna se nela não mais pudéssemos reencontrar, com amor, aqueles aos quais nós hoje amamos? Atente-se em que no caso do próprio Deus pessoal cristão a imortalidade dos homens não é inerente à sua origem divina ou dela decorre necessariamente. Ela é concedida como graça, dádiva. Todos os teólogos concordam nisso e é o que está nos Evangelhos. Mas se estes revelam a verdade, devemos nos preparar para a realidade da Ressurreição dos Corpos, do Juízo Final, do Paraíso e do Inferno. Seja como for, teremos de abandonar a Criação Permanente e voltar ao velho Deus misericordioso e ameaçador do cristianismo.

Alguns “imortalistas”, percebendo o que há de assustador na perspectiva de uma vida interminável, acenaram com a hipótese de Eternidade como “ausência de tempo”. Aí o "non sense" chegou ao seu zênite. Alguém pode imaginar tal realidade? Toda a filosofia moderna mostra o homem como um ser no tempo, a temporalidade como a essência da vida. Não existe consciência individual sem memória e esta é a consciência do tempo. Assim, no primeiro caso (tempo infinito), como a consciência nasceu e se desenvolveu na Terra, ficaríamos para sempre nos lembrando de pessoas detestáveis. No segundo, de que poderíamos nos lembrar na vida “sem tempo”? Na ausência de tempo não há passado nem futuro, nem projetos nem recordações. Bem disse o “imortalista” Unamuno: “La eternidad, como um eterno presente, sin recuerdo y esperanza, es Ia muerte” (pág. 218). Tais hipóteses sugerem mais a existência do Demônio do que a de Deus.

E interessante como todos aqueles que discorrem sobre a alma – entidade espiritual – acentuam sua espacialidade. Ela habita o corpo, ele é a sua sede, seu “invólucro carnal”. Chega-se a falar da alma aprisionada pelo corpo. E é notável, senão estranho, que a parte nobre do homem, aquela destinada à vida eterna, não consiga libertar-se espacialmente do seu continente. Não se conhece um único exemplo em que a morte haja ocorrido com o abandono do corpo pela alma. Ao contrário, a morte pressupõe a ruína corporal. Se se pudesse apontar pelo menos um caso de falecimento com o corpo em perfeito estado anatômico e fisiológico, ele fortaleceria a tese “imortalista”. Mas isso, ao que se sabe, jamais aconteceu.

Creio que ambos aceitamos a definição simples que a Enciclopédia Mérito dá de espaço: “extensão em que se move o Universo”. Essa acepção evita as cerradas renhas filosóficas e científicas nas quais, desde Kant e Renouvier até Einstein, se discute a natureza do espaço. O fundamental é que o universo não existe nem pode existir sem aquela extensão. Você rejeita o idealismo subjetivo de Berkeley e de certas metafísicas indianas que nega a realidade do mundo exterior. Bem ao revés, você reconhece que o Universo (portanto o Espaço) tem realidade objetiva e não ilusória. Assim as almas, após a morte, embora invisíveis e imperceptíveis para nós, continuam vivendo no espaço sem que saibamos como e com que velocidade nele se movem. Se a sua concepção de alma fosse a de algo puramente espiritual, desligado de qualquer vínculo material, não sei como poderia explicar a sua existência no espaço. Mas parece que você não aceita nem o espiritualismo (prioridade do Espírito) nem o dualismo (espírito e matéria são ambos primários). Então para você a alma não é puramente espiritual, eis que se originou da matéria, embora não explique como foi possível a passagem do perecível para o imperecível. Mas se para você a alma imortal deriva do corpo, então terá de reconhecer sua espacial idade. Ela vive de fato no espaço, isto é, em algo que tem extensão.

Certamente, como já salientei, o que mais anima a crença dos “imortalistas” é a esperança de reencontrar no Além os seus entes queridos na Terra. Assinale-se que, sem uma ajuda providencial, não se sabe como isso seria possível, de vez que nesse Além (espacial) já devem existir muitas dezenas de bilhões de almas oriundas da Terra. Supondo porém que se dê o reencontro, como as almas se reconheceriam? Elas teriam alguma forma? Ou seriam puras vozes? A última hipótese, a de um universo de cegos, não é nada alentadora. Nenhuma alma desejaria ser privada do sentido da visão. Às eleitas é prometida, inclusive, a Visão Beatifica, a contemplação de Deus. Algumas correntes espiritualistas, percebendo a importância do problema, levantaram a hipótese do já mencionado “corpo astral”. Mas aí surge nova dificuldade: o corpo astral representará que idade do ser humano? Se fosse a da morte teríamos um universo povoado, na sua imensa maioria, por “corpos astrais” de anciãos, de velhos caquéticos, perpetuando na eternidade a sua decrepitude ou, pelo menos, a sua aparência decrépita. Isso para não falar dos corpos destruídos por acidentes. Positivamente esta não é uma perspectiva agradável. E como se sentiria um velho morto aos 90 anos ao reencontrar sua jovem mãe falecida aos 30? E para alguns o corpo astral significaria feiúra ou deformidades eternas. Além do problema do reconhecimento há também o da comunicação entre as almas. Qual será a sua linguagem? Conservarão elas os idiomas da Terra ou apreenderão imediatamente um meio universal de comunicação verbal ou não verbal? Como a alma de um coreano se comunicaria com a de um brasileiro? A tese da vida eterna é eminentemente geocêntrica. Os astrônomos falam em mais de 100 bilhões de galáxias, cada uma delas com mais de 100 bilhões de estrelas. O número de corpos celestes é tão espantosamente grande que reduz nosso planeta a um ínfimo grão de areia. Quem nos assegura que não há em outros deles algo semelhante ou superior à consciência humana e, portanto, também merecedor da vida eterna? Exclusivamente o habitante da Terra, esse mísero corpúsculo do Cosmos, terá sido contemplado com a imortalidade? Pela famosa “Equação de Drake” (Frank Drake, professor de Cornell) as possibilidades mais conservadoras de civilizações avançadas, somente na Via Láctea, são em números de milhões. Leia-se em Breve história de quase tudo, de Bill Bryson, pág. 39. Vida inteligente extraterrena é improvável na nossa galáxia, mas pode existir em outras.

Tudo isso pode parecer pueril e trivial, mas não sem sentido. Não é razoável enfrentar uma dificuldade apresentando outra ainda maior. E é a isso que equivale a resposta de que no Além há solução satisfatória para tudo. Se nenhuma pergunta é concebível porque nenhuma resposta é possível, se nenhuma explicação ou hipótese pode ser sensatamente formulada, se a própria curiosidade se torna absurda posto que estamos diante do incognoscível, então qualquer especulação racional sobre a vida eterna é incogitável. Esse assunto deve permanecer no campo inexpugnável da fé. E realmente nenhum argumento posso opor a quem sustentar ser a fé uma forma de conhecimento superior a razão.

Reconheço as insuficiências e precariedades da razão, mas, não tendo sido agraciado com a fé, só posso me utilizar da primeira. Jamais tentei converter alguém ao ateísmo. Isso, mais do que crueldade, seria estupidez, pois admito como muitos pensadores, na linha de Sorokin e Bell, que talvez estejamos, apesar dos computadores, no limiar de uma nova Idade Teocrática, idade do sagrado, com o que terá fim a nossa civilização racionalista, pragmática, materialista. Seria um “reencantamento do mundo” contraposto ao processo de “desencantamento” assinalado por Max Weber, no Ocidente, a partir do Renascimento. Rouanet e Jaguaribe protestam contra a possibilidade desse colapso da Razão.

Assim, nunca discuti com alguém que me apresentasse o escudo da Fé que o torna imune a argumentos racionais. Caso diferente é quando o interlocutor utiliza as armas da Razão e da Ciência.

No seu magnífico livro, Unamuno ora se apresenta como um desesperado ora como um esfaimado pela vida eterna. É o D. Quixote da imortalidade. Não aceito as injúrias e acusações que lança aos ateus. No seu anseio desvairado ele generaliza ao atribuir aos outros o furor “imortalista”. Contudo é absolutamente honesto intelectualmente. Examina com uma objetividade sem ilusões todos os argumentos em favor de sua aspiração suprema e não vacila em apontar sua inconsistência. Leiamos o que ele escreveu: “Mas apesar de todo ello, queda en pie Ia afirmación escéptica de Hume” y no hay manera alguna de probar racionalmente Ia inmortalidad del alma. Hay, encambio, modos de probar racionalmente su mortalidad” (pág. 86, o grifo é meu). O grande basco, exasperado até ao paroxismo pela sede de imortalidade, reconhece que, fora do coração, não há nenhum verdadeiro elemento de convicção em favor dela. Como ele afirmou, o anseio pela vida eterna é próprio dos homens (não de todos), porém isso não prova a sua realidade. Quem quiser a vida de post-mortem, como ele quis, para poder suportar a vida de agora, deve, na minha opinião, abroquelar-se na Fé, repetir com Tertuliano “creio porque é absurdo” e seguir Pascal na sua “aposta” pela vida eterna. Esta carta, redigida às pressas e sem a preocupação da boa redação, virou um micro ensaio no qual se misturam argumentos lógicos e empíricos. Para ele peço a indulgência de sua implacável lucidez. Se eu pudesse rezar, rezaria para que me demonstrassem a inocuidade de meus argumentos, pois também para mim não é agradável a perspectiva do fim próximo e absoluto. Enquanto isso refugio-me no epicurismo até que a inevitável velhice me force ao estoicismo.

Afetuoso abraço de
Humberto Braga

* Essa também é a interpretação do pensamento aristotélico por Bertrand Russel: “Parece, a julgar-se por essas passagens, que a individualidade – que distingue um homem de outro – está ligada ao corpo e à alma irracional, enquanto que a alma racional ou morte é divina e impessoal. Um homem gosta de ostras, outro de abacaxis; isto os distingue entre si. Mas quando pensam sobre a tabela de multiplicar, contanto que pensem corretamente, não há diferença entre eles. O irracional nos separa, o racional nos une. Assim, a imortalidade da mente ou da razão não é uma imortalidade pessoal de homens isolados, mas uma participação da imortalidade de Deus. Não parece que Aristóteles acreditasse na imortalidade pessoal, no sentido em que foi ensinada por Platão e, depois, pelo Cristianismo. Acreditava somente que os homens, até onde são racionais, participam do divino, que é imortal. Está ao alcance do homem aumentar o elemento do divino em sua natureza, e fazer isso constitui a mais alta virtude. Mas se o conseguisse completamente, deixaria de existir como pessoa isolada. Talvez esta não seja a única interpretação possível das palavras do Aristóteles, mas parece-me a mais natural” (História da Filosofia Ocidental, págs. 194 e 195,Companhia Editora Nacional).
2006

 
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