Homenagem a Ulysses Guimarães
Humberto Braga

Senhores Conselheiros,
Lamentavelmente, esta sessão se inicia sob um signo de tristeza; tudo indica, infelizmente, que o Brasil perdeu o maior dos seus homens públicos e uma das mais gloriosas figuras da sua história republicana
Há muito que lembrar de Ulysses Guimarães, o último gigante da nossa arena política; há muito que lembrar do cruzado destemeroso da anticandidatura, na resistência à opressão e ao arbítrio; do campeão inigualável da Campanha das Diretas Já, conclamando as multidões à luta pela cidadania e ao amor à liberdade; há muito que lembrar do inesquecível Presidente da Constituinte, defendendo com bravura e altivez insuperáveis a representação popular; enfim, há muito que lembrar do Ulysses dos últimos dias, mais indomável do que nunca, erguendo-se do leito, de onde fora recentemente operado, para comandar a batalha pela restauração da dignidade nacional.
Eu ouvi no rádio, há pouco, um Coronel da Aeronáutica dizer que aquele malfadado helicóptero conduzia “um monumento”. E, realmente, maiores, bem maiores em Ulysses Guimarães, do que a inteligência e a cultura, era o caráter, era a firmeza, era a fibra, era a personalidade forte, era a coragem moral. Ele, de certo modo, me faz lembrar, pela estatura cívica, um daqueles heróis antigos, um daqueles Senadores da Roma Republicana, que, pelos seus próprios méritos, encarnava a Instituição. Ele era, para nós, o que Gladstone foi para os britânicos: The old great man, o último “grande velho” da política nacional.
Não sei, até agora, se o pesar é prematuro, mas a homenagem é oportuna, e, em nome do Tribunal de Contas, apresento a nossa homenagem ao Deputado Ulysses Guimarães.

Revista do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, 01/03/1993

 
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